Clamoreais
03/12/15 21:52
Cálculos e sistemática
E sua mão perscrutando a minha pele
Tão sutil como um gavião caçando a presa
Tão intenso como o olhar que a lança
O teu cheiro me inebria como o mais forte dos temperos, me molha a boca, me faz arder a língua e me sinestesia... ansiando pelo agora, nada mais que o agora.
Teu toque já não é mais displicente e sim direcionado
Ou o era antes e eu quem não notara tuas intenções?
Intenções de macho que faz a dança do acasalar para dominar o momento
Para testar as habilidades fugazes da fêmea
E a fêmea simplesmente se entrega como uma peça fácil no xadrez do sexo,
Que distinta ao jogo, clama para ser comida.
A dança se prolonga
Mãos que seguram-me as pernas, afastam-nas cheias de tesão e as faz clamar por algo mais
E você me observa, com olhos de lince faceiro,
Como um gato sínico e calculista, quer tirar de mim todas as fraquezas e me dar novos ares de realeza
Agarra-me pelo pescoço, puxa-me delicadamente os cabelos, sabendo que pedirei para fazê-lo ainda mais forte.
Gostas de me ouvir clamar
E eu gosto de clamar a ti
Chupa-me os lábios, lambe-me os seios, mordes-me a pele
E eu quero ser languida, plena
Vento que cruza os oceanos e encontra a nau para lançar-se, erguer-se, entoar cânticos dos cânticos aos cânticos das mil e uma noites, se fim
Já não quero mais as peças, não quero simples toques juvenis,
Quero nossos corpos se fundindo na agilidade de lebres trepidantes, de amantes que se querem sem qualquer propósito a posteriori,
Mesmo que isso não passe de uma bobagem volátil e pontual
Quero sentir você em mim
Quero eu estar em você
E descobrir o sabor das nossas essências, entrelaçadas, encarnadas, fluidas, francas, leais
Chega de fantasias, quero-as reais
Reais em mim
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