Meio termo
31/01/19, 00:35

O que em você mexe tanto em mim?
Por que você me bole desse jeito assim?
Tirando meu prumo, minha sanidade
Me fazendo duvidar do meu foco, da minha verdade
Me desestruturando, me tirando a paz
Me fazendo acreditar que tudo é demais
Eu já não aguento mais
Como isso pode não ter fim?
Cansei de negar, tu me bagunças sim
O fastio, a fome
Você vem e some
A insônia, o sono
Te afundo em culpa e abono
Tuas faltas, teus erros
Teus orgulhos, teus arregos
E de repente chega forte aqui
Pensamentos que já não esperava sair
As coisas lindas que vivemos juntos
As viagens, os planos
Ora sábios, ora insanos
Os conselhos, o ombro amigo
O “quero viver minha vida contigo”
O tesão, o amor
O sexo bom
Sem besteira, sem queixa
Sem meio tom
E me voltam à memória
Briga, acusação,
Insegurança, falta de perdão
Ciúmes, angústias,
As dores, lamúrias
O “não aguento mais” no grito
O achar que o amor não passava de um mito
A solidão que permanece
O cansaço que fenece
A incompreensão
O ouvir do outro sempre não
E refletir sobre o porquê de permanecermos nisso
E de achar que talvez você seja omisso
“O que estamos fazendo é dar murro em ponta de faca”
Espremendo limões, esperando suco de jaca
Cegos insanos dando tiro nos escuro
Mirando o alvo, crendo ver o todo por um furo
Que a venda negra que nos cobre o rosto
É coisa passageira, não é algo posto
Este insistir em fazer dar certo
Invenção de gente sem juízo perto
Perto da lucidez, de uma inteligência sábia
Tudo isso não passa de um grande acúmulo de falha
Não há felicidade em viver assim
Eu já não me reconheço mais em mim
Talvez aja saída para você sozinho
De confiar o outro num outro caminho
E sentir que o futuro há de ser amigo
Meu, nosso, vem aqui comigo
Construir uma nova história de fraternidade
Mas apenas se nisto morar a verdade
Mira o todo e vê que somos alma
Que depois do turbilhão o que inunda é a calma
Segura minha mão, chega cá e não larga
Não me deixa ir, compartilha tua saga
Do teu sonhar, do teu construir
Olha bem pra mim, deixa só fluir
Lembra o nosso trilhar
Não deixa aqui estar
A imensidão do que vivemos
Temos que olfatar e acreditar
Que tudo o que tivemos
Foi mágico, necessário e verdadeiro
Que sozinho ninguém consegue ser inteiro
Desfaz o passado e observa as estrelas
Percebe que como nós elas são só centelhas
De um ser maior que nos constitui
Que um amor tão grande não balança e rui
Mas que disso nasce uma energia maior
E nos traz de dentro força para ser melhor
Sigamos felizes trilhando este caminho
Cerveja, cachaça, garapa ou um bom vinho
Olhos, mãos, abraços e um ouvidinho
E saiba, amigo meu, te quero com carinho

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