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Mostrando postagens de abril, 2024

Ciclo

Enquanto ainda estou tentando rebrotar Lançam sobre mim fardos e mais fardos De outros... de outras... Enquanto busco o equilíbrio após as sucessivas podas Cobram suporte, atenção, nutrição, ação  Enquanto encontro uma forma de me levantar do recorrente tombo Dizem dentre dentes que é minha obrigação erguer raízes, troncos e galhos "Você deve sustentar a floresta" - bradam eles em uníssono  Cobram-me cuidado por todos os lados  E não permitem que nem eu mesma possa me cuidar em mim Me curar de mim Quiçá eles, em um lapso de consciência, olharem para além de si próprios Dos seus comensalismos, dos seus inquilinismos Ervas brotam pelo meu corpo, sugam minha seiva, sufocam minha copa Não vejo mais a luz do sol Parasitada, apodreço Ponto de conflito interno Ponto de limite externo Pondero sob a terra O adubo que lancei A cultura que cultivei Eis a colheita que mereci Ao pó, retornarei Um novo ciclo, se inicia aqui

08 de abril

  o saudade que chama Feito flama Arde, queima, encolhe, dói Em cada palavra, sussurro Lembranças como um filme de fotos aceleradas Cadeira de rodas, linhas, agulhas, tecidos, novelos Os números do último sorteio da telessena De hora em hora o resultado parcial "Corre pra anotar, senão eu vou perder, vai que é dessa vez" E a esperança nunca morria Mas a senhora sim Se foi cheia de esperança de dias melhores E deixou memórias iscas, histórias âncora, sinais armadilha de um amor não mais concreto Que mancha e não larga, como noda de caju Que custa a passar pela garganta, se agarrando, quase asfixiando, como jaca mole Que incha na barriga como feijão com farinha Como chá de boldo que amarga qual todo remédio bom Uma hora passa, faz bem e cura Palavras cruzadas que não se encaixam mais... É o abraço de uma pessoa só Uma cama vazia As perguntas sem resposta A despedida sem a "benção mãe" São os sonhos por lugares e por pessoas que ficaram só na imaginação Aquele bordado...