Sou terra Sou grão, sou paisagem Sou alimento às raízes de tantas e de tantos Sou minha própria anciã, ancestral de mim mesma e herdeira do meu Eu Sou firme como rocha Sou volátil qual poeira Tentam me encobrir com novas ilusões Mas sou eu que fundamento, Eu quem alicerço o mundo Diversa, multifacetada, de cores mil Coloro, estruturo, me afundo e me amostro Desde as profundezas abissais Até o cume da mais alta montanha Sou eu, que ali estou De dentro para fora De cima para baixo Do frio ao quente Sou eu, que ali estou Mesmo com a água que escoa, Mesmo com o fogo que me aquece Mesmo com o ar que me carrega Sou eu, que ali estou E nada há de mudar A minha natureza de ser Não tenho pai, Não tenho mãe Sou filha do Chão!