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Mostrando postagens de março, 2023

Reencontro

  Como foi gostoso ver Seu olhar queimando em chama Seu corpo de prazer se contorcer Você preso sob o meu peso na cama Seu gemido entre dentes escorrer Murmúrio, sussurro, urro Enquanto gozava para mim Será que com as outras também é assim?

Rodízio

  Um enigma se põe a frente da cliente Do desafio que o espera, está ciente A tempos essa questão ronda a sua mente E agora avalia, como se sente   De que modo agir? Se apegar a memórias antigas e concluir? Ou explorar paladares sem languir E mesmo diante das inseguranças, persistir?   Dentre tantas opções, decidir arriscar O novo, desconhecido, degustar A segurança e a certeza, abandonar E em outros sabores, se aventurar   Premissa um: decepção A escolha de um sabor que não preenche Que contamina o prazer logo à frente Recheado de expectativa e frustração   Como pode ser? Degustar o que deseja e não gostar Sentir salivar a boca e não extasiar Permitir experimentar e não se entregar   Premissa outra: êxtase Bancar a decisão de explorar Deixar o inesperado admirar Um misto de surpresas encontrar   Por que não ser? Tão gostoso misturar fatias Doce, azedo, amargo, simpatia Se perceber livre...

Minha querida poeta

  Minha querida poeta, Escrever extravasa a alma Transborda o coração, Faz os ouvidos ouvirem aquilo que nenhuma boca falou Faz o corpo sentir o que a matéria não tocou Faz dizer o que o silêncio por muito tempo comportou Liberta o teu eu E segue trilhando Ora caminhos de trevas Oras caminhos de luz Abre essa caverna Salta do abismo Encara a fera E enfrenta o espelho Que te acompanha a cada passo Em cada esquina Da tua jornada

Terapia

É cansativo e satisfatório... jogar este jogo Enquanto quebro a cabeça Tentando formar uma imagem coerente De repente... Ela já não está mais na minha mente Peças se confundem, Regras se refazem Lógica e crenças pelo chão caem Irresoluto o enigma, Me persegue como estigma À medida que o encaro, o escancaro, o levo ao claro Paro Em meio ao desamparo E reparo, que é ele quem olha pra mim Entre encaixes e desencaixes Entre êxtase e decepção Eu me desmonto Eu me remonto De novo E de novo E de novo

Dois corpos, duas almas

É interessante como você se transforma De uma brisa leve e previsível Em um furacão avassalador e inebriante Você é a verdadeira força da natureza Olhos incendiam Corpo deságua Músculos petrificam Ter você em mim É um resgate selvagem De dois corpos De duas almas