Ciclo
Enquanto ainda estou tentando rebrotar
Lançam sobre mim fardos e mais fardos
De outros... de outras...
Enquanto busco o equilíbrio após as sucessivas podas
Cobram suporte, atenção, nutrição, ação
Enquanto encontro uma forma de me levantar do recorrente tombo
Dizem dentre dentes que é minha obrigação erguer raízes, troncos e galhos
"Você deve sustentar a floresta" - bradam eles em uníssono
Cobram-me cuidado por todos os lados
E não permitem que nem eu mesma possa me cuidar em mim
Me curar de mim
Quiçá eles, em um lapso de consciência, olharem para além de si próprios
Dos seus comensalismos, dos seus inquilinismos
Ervas brotam pelo meu corpo, sugam minha seiva, sufocam minha copa
Não vejo mais a luz do sol
Parasitada, apodreço
Ponto de conflito interno
Ponto de limite externo
Pondero sob a terra
O adubo que lancei
A cultura que cultivei
Eis a colheita que mereci
Ao pó, retornarei
Um novo ciclo, se inicia aqui
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