Leão
27/03/10, 17:35
Quero ter você
sentir teus músculos tencionados
teu abdômen cortado
teus lábios molhados
meus cabelos enrolados
entre teus dedos que me puxam sem dó
deixa vulnerável meu pescoço
me chupa até o osso
como um vampiro sem dono
tira de mim o abandono
e desce aqui
entre minhas costas nuas
com a tua barba crua
me arranha
me assanha
me lambuza
com essa língua sedenta,
e inventa
xingamentos aos meus ouvidos
esquenta
minha bunda com teus tapas ardidos
aguenta
enquanto chupo teu saco
e engulo teu pau entre lábios
entre .... lábios
me arrepia
me inebria
com teus dedos dançantes
com teus olhos figurantes
com teu sorriso farsante
de escroto leonino
de carente disfarçado
de felino sem destino
de amante maculado
já não sei bem quem tu és
não importa o viés
conquanto que lamba-me os pés
me abraça de costas
faz de conta que não notas
meus gemidos, os meus gritos
meus pedidos, meus tremidos
enquanto ruges feroz
meu domínio, meu algoz
me encara a sós
eu vejo os nós
descendo pela tua garganta
que aprisiono entre minhas mãos
já não estamos mais sãos
vulneráveis, submissos
nesse frenesi de feitiços:
saliva, mãos e olhos
que se cruzam e defloram
duas almas que se olham
complexas, confusas? sim!
deixa ser assim
tira música de mim
me dedilha, me toca
me batuca, me soca
usa desse instrumento enquanto pode
tapa a minha boca e agora fode
bem forte!
não foge!
tens sorte
de ver a rainha que me faço agora
a louca, a santa de outrora
a bruxa que está a nascer
a donzela a se desvanecer
a explodir de tanto prazer
E quando o peito deixar de arfar
quando o sexo parar de latejar
vem fazer tudo de novo
rebrotar em mim o nosso gozo
que se faz em um único suspirar
que não fique entre nós qualquer pesar
de duas bocas que se fundem
entre corpos que se partem
da sedução que não ilude
do fogo que queima e não arde
da amizade que se nutre
e mesmo que não seja, não mate
o respeito que se traz
para quando o que é já não for mais
o amante não sucumba
na despedida em cada cais.
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